74 anos depois, VW produz o último Fusca da história. Por enquanto…

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74 anos depois, VW produz o último Fusca da história. Por enquanto…

74 anos depois, VW produz o último Fusca da história. Por enquanto…

 

Colocamos frente a frente a primeira e a última versão do venerado modelo, que deixa um legado e uma lacuna que jamais serão preenchidos.

Após 74 anos na ativa, o venerado Volkswagen Fusca finalmente sai de cena, com as pompas de ter sido um dos carros mais importantes de todo o mundo dos automóveis.

Das suas raízes militares e de veículo de democratização do transporte individual, o Fusquinha passou a deter um estatuto de automóvel de culto por todo o mundo, conquistando a eternidade.

Nesta quarta-feira (10) o último dos Fusca foi produzido na fábrica de Puebla, México. QUATRO RODAS participou da cerimônia de despedida do simpático sedã.

Desde quando ele nasceu, em 1945, foram produzidas 21 milhões de unidades. O Brasil, sozinho, tornou-se o terceiro país onde se matricularam mais unidades – 3 milhões – só atrás da Alemanha e dos Estados Unidos.

Nessa ocasião a VW fez uma campanha publicitária a prestar tributo ao Fusca. Um dos anúncios mostrava um lugar de estacionamento muito apertado e vários carros grandes a tentarem usá-lo, sem êxito.

Ao fim de algum tempo surge um cartaz nesse lugar com a frase: “É incrível como um carro tão pequeno deixa um vazio tão grande”.

Embora o Fusca tenha preservado a sua forma icônica ao longo dos anos, soube sempre reagir de maneira sensata aos desenvolvimentos sociais e técnicos.

Usando apenas pequenas modificações no design, adaptou-se, por dentro e por fora, ao espírito dos tempos e às descobertas da moderna tecnologia automóvel.

Além disso, a parte inferior da carroceria oferecia a designers independentes a oportunidade de usar a base técnica produzida em massa como ponto de partida para veículos personalizados.

O modelo original nasceu da ambição do ditador Adolf Hitler e do talento de Ferdinand Porsche, que no início dos anos 30 definiram as bases do projeto.

Em 1932, Porsche já tinha traçado as linhas do NSU Type 32 que, mesmo não tendo chegado à produção, já continha os genes de design e técnicos do futuro Beetle.

A 17 de janeiro de 1934, Ferdinand Porsche redigiu o seu “Relatório sobre o construção de um carro do povo alemão”.

Na sua opinião, o Volkswagen (Volk significa povo e wagen carro em alemão), deveria ser “um automóvel funcional e fiável, embora com uma construção relativamente leve.

Deveria oferecer espaço para quatro pessoas, atingir velocidades de até 100 km/h com motor de cilindros contrapostos (boxer) refrigerado a ar e conseguir superar subidas com 30% de inclinação”.

Os primeiros protótipos surgiram em 1935 (V1, V2 e V3, sendo que o V significava Versuch, ou “Experiência” em alemão), o último dos quais já quase pronto para ser produzido em série pela nova empresa nacionalista DAF.

Foi do lema Kraft durch Freude (Força pela Diversão) que se originou o primeiro nome do veículo, KdF-Wagen, mas que depressa foi esquecido perante a força dos nomes Volkswagen e Beetle.

O carro apresentava algumas novidades técnicas interessantes, como suspensões independentes e barras de torção.

Embora ainda não houvesse freios hidráulicos, os montantes de borracha do motor constituíam um avanço considerável para a época.

Para preparar os sistemas de produção, Ferdinand Porsche visitou fábricas americanas na tentativa de recrutar experientes engenheiros alemães emigrados e só depois o Beetle teve a definição total do seu projeto de design e especificações técnicas.

Em 26 de maio de 1938, Hitler colocou a primeira pedra na construção da fábrica da nova cidade KdF-stadt, que viria a ser rebatizada como Wolfsburg após a derrota alemã na II Guerra Mundial.

Novo Fusca

Cinco anos antes da morte do Fusquinha original, em 1998, já nascera o New Beetle, projeto liderado pelos EUA pelo designer J. Mays e produzido também em Puebla, México).

Apesar dos traços retrô, agora mais acertadamente conhecido como cupê, trazia plataforma (compartilhada com o Golf IV) e motores muito mais modernos, ao ponto de incluir uma versão RSi (limitada a 250 unidades) equipada com um V6 3.2 de 224 cv. O motor passou a ser dianteiro e transversal, bem como a tração foi tornada dianteira

De entrada, estavam disponíveis propulsores 2.0 a gasolina e 1.9 turbodiesel com injeção direta.

Se na Europa o New Beetle tinha claras dificuldades em se impor (porque o preço era demasiado elevado), nos EUA o sucesso foi retumbante, ajudando a VW da América a conseguir o seu melhor resultado de vendas em duas décadas – 380.000 unidades comercializadas.

No Brasil, jamais deixou de ser um carro de nicho.

Em sua segunda geração, o New Beetle voltou a se chamar Beetle (ou Fusca, aqui no Brasil) e ainda fazia referências ao modelo original em detalhes como porta-luvas, maçanetas das portas e outros acabamentos.

Entretanto, sendo 2 cm mais comprido e 9 cm mais largo, priorizava espaço interno e de porta-malas. Só que as vendas nunca alcançaram os volumes desejados na Europa e até mesmo nos EUA, onde os SUV começaram a virar febre.

Por isso, não foi surpresa quando a Volkswagen anunciou, no salão de Los Angeles de 2018, em novembro passado, que encerraria a produção do modelo.

Sua edição de despedida, cupê ou conversível, traz elementos alusivos ao Fusca “Última Edición” mexicano, e apenas um motor: 2.0 turbo de 176 cv a gasolina, com caixa automática de seis marchas.

Fonte: Quatro Rodas