A história de uma Volkswagen Brasília nunca emplacada

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A história de uma Volkswagen Brasília nunca emplacada

A história de uma Volkswagen Brasília nunca emplacada

A  Você acha que um carro pode ser considerado seminovo com 41 anos de idade? Pensou que não? É porque não conhece a história desta Brasília, que saiu da fábrica da Volkswagen em 1978, na cor bege, e até hoje o único documento que possui é a Nota Fiscal da concessionária. Nunca rodou além dos poucos quilômetros de testes nos rolos de fábrica, ao final da linha de montagem. Nunca foi licenciada. E ficou guardada desde então, com seu odômetro marcando apenas 91 quilômetros.

A Brasília, uma “perua” de pequeno porte, que a Volkswagen lançou em 1973, sobre a plataforma do Fusca, na época chamado de Volkswagen Sedan. Tinha motor 4 cilindros boxer 1.600, de 60 cv. O nome Fusca foi o apelido que o brasileiro colocou no carro popular da fabricante de São Bernardo do Campo, que pegou e veio até o fim do modelo, recentemente.

Os 60 cv aumentaram para 65 cv com dois carburadores em 1979, quando a Brasília ganhou a versão LS, que vinha de fábrica com rádio AM/FM, desembaçador do vidro traseiro, bancos dianteiros com apoio de cabeça. Um luxo só! Ela parou em 1982, depois de quase um milhão de unidades vendidas. Entre elas a “nossa” seminova Brasília bege com seus poucos 91 quilômetros.

Seminova?

Bem, se pensarmos que existem carros seminovos no mercado com até 40 mil ou mais, porque não taxar de seminova, uma Brasília inteirinha, interior monocromático, com estofamento impecável, volante e tudo, mas tudo mesmo completamente original, com pequenas marcas de ferrugem na parte de baixo por ter ficado em um galpão que era regularmente lavado. Mas a pintura está uma perfeição, como se tivesse saído ontem da fábrica da VW em São Bernardo do Campo (SP). Até agora a Brasília que mais chamava a atenção era a “Brasília Amarela”, com a qual o saudoso grupo “Mamonas Assassinas”, cortejava uma “mina” para descerem a serra e ficarem “peladios” em Santos.

Até 1996 ela ficava em uma concessionária VW FRAMA, em São Bernardo do Campo (SP). Quando esta fechou, foi parar numa garagem e ali deixada pela família a que pertencia. Um dia, o amigo do advogado Alexandre de Arruda Pires, recebeu a Brasília como pagamento por serviços prestados. E a ofereceu a ele, colecionador de veículos fora de série.

Perguntado por que não a havia feito seu licenciamento, Alexandre diz que não faria isso, porque não tem intenção de circular com ela. “Tenho dó de fazer girar este hodômetro e por isso não lacrei a Brasília”, explica ele. Esta é a segunda Brasília do seu acervo, a primeira é um modelo 1980, já da fase do motor com 65 CV.

É possível licenciar?

Com tanto tempo assim na “clandestinidade” haveria algum problema em licenciar a Brasília? Não! Segundo a Federação Brasileira de Veículos Antigos – FBVA, não haveria nenhum problema para isso. Bastaria apenas apresentar a nota fiscal, pagar as taxas de licenciamento, seguro obrigatório e pronto. E ela tem uma vantagem ainda: pode ter placa preta, que exime o veículo do pagamento do IPVA. Mas Alexandre diz que não pensa nisso.

34 Miuras

Alexandre é apaixonado por veículos fora de série, sua coleção tem 107 modelos. Só da marca Miura são 34, que estão ao lado de Adamo, Farus, réplicas de MG e modelos Gurgel, como o XEF, o Machine, BR-800 e muitos outros. Esta paixão pelo antigos é herança do seu pai, que foi advogado da Miura, de onde vem a coleção do modelo.

E, para não deixar a “peteca cair”, Alexandre transmitiu para os filhos esta paixão pelos antigos. Com 9 e 5 anos, eles têm seus Fuscas, um verde e outro rosa. As crianças cuidam deles com carinho e tomam conta da coleção do pai com muito ciúme e não querem que estranhos cheguem perto, se Alexandre não está por perto.

Fonte: REVISTA CARRO